A Indiferença É Morrer Com A Solidão Aos Pés Da Cama 
Morremos porque nos matam de abandono neste país abandonado. 
De quantos dias é feita a solidão? De quantas semanas, de quantos meses, de quantas horas? Num tempo em que o abandono dos velhos às garras da doença já pouco é notícia, aqui se apresenta o relato duro e cru do tempo vivido nesse abandono. Meses, semanas, dias ou horas - toda a solidão dói quando não há quem nos afague a morte. 
"Ouço os ruídos que habitam o prédio. 
Já não os estranho. Conheço-os. Habituei-me. Habitam-me. Ajudam-me a não estar só. Confortam me. Os meus tímpanos estão cheios dos ruídos que habitam o prédio. E do silêncio feito da ausência dos ruídos que habitam o prédio.
Ouço os ruídos que habitam o prédio.
Os passos, as vozes, os sussurros, as amarguras, as zangas, os afetos, os beijos, o peso da nostalgia, as solidões acompanhadas, a pobreza que se envergonha, a debilidade de não se ser capaz, a desvergonha da mentira, o fingimento desleal, a insensibilidade que mata lentamente.
Ouço os ruídos que habitam o prédio.
Ouço-os como se fossem a alma do próprio prédio. Sonho. Vagueio, montado num anseio de ser um dos ruídos do prédio. Mas sou uma pessoa terminal, uma solidão proscrita. E é tudo tão pontual no prédio. Os ruídos e o seu silêncio."


Título: A Indiferença É Morrer Com A Solidão Aos Pés Da Cama

Autor: Afonso Valente Batista

Colecção: Ficções

Nº de páginas: 136

Ano de edição: 2014

Formato: 150 x 235 mm

Acabamento: brochado

ISBN: 978-989-98795-4-6

Código editor: 1.02.004

PVP: 11,95€

Leia um excerto do livro



Outros livros que lhe poderão interessar

Junte-se a nós no facebook e twitter