Euclides da Cunha

Euclides da Cunha nasce a 20 de Janeiro de 1866 na Fazenda Saudade, em Santa Rita do Rio Negro, actual Euclidelândia, Rio de Janeiro. Orfão de mãe aos três anos de idade conclui o curso de humanidades no Colégio Aquino, sob a orientação de Benjamin Constant. Matriculado em 1885 na Escola Politécnica, assenta praça no ano seguinte na Escola Militar. Em 1888 ocorre o episódio de insubordinação que o torna famoso, quando lança aos pés do Ministro da Guerra a sua espada de cadete. Preso durante um mês na Fortaleza de Santa Cruz, é expulso do exército por ato pessoal do Imperador. Viaja então para S. Paulo onde, bem recebido pelos republicanos, começa a escrever para o jornal A Província de São Paulo. Regressado ao Rio, é lá que assiste à proclamação da República, em Novembro de 1889. Com o apoio no novo Ministro da Guerra, seu antigo mestre Benjamin Constant, é reintegrado no exército, concluindo em 1890 o curso da Escola Superior de Guerra como primeiro-tenente. Casa-se nesse mesmo ano com Ana Ribeiro, "Saninha", de quem tem cinco filhos, dos quais dois morreriam pouco tempo depois de nascerem. Formado em 1892 em Matemáticas e Ciências Físicas, inicia no mesmo ano a sua prática de engenharia, iniciando o seu serviço na Directoria das Obras Militares. Mas os seus protestos durante a Revolta da Armada fazem-no cair em desgraça no Exército, de que se reforma em 1896 tornando-se engenheiro-ajudante de primeira classe da Superintendência de Obras Públicas do Estado de São Paulo. Convidado por Júlio Mesquita, proprietário do Estado de S. Paulo, para realizar a reportagem sobre a guerra dos Canudos, dada a sua intensa colaboração com a imprensa e a publicação no início de 1897 do ensaio sobre este tema no mesmo jornal, parte para a Baía, alcançando Canudos a 16 de Setembro. Terminada a luta, com o material colhido escreve as primeiras notas de Os Sertões. No início de 1898 é publicado o "Excerto de um Livro Inédito" no Estado de S. Paulo, primeira amostra pública de "Os Sertões". Muda-se para São José do Rio Pardo nesse mesmo ano, onde supervisiona a reconstrução de uma ponte metálica destruída por uma enchente. Termina o livro em 1900, num barracão de madeira ainda hoje conservado. A primeira edição da sua opus magnum é publicada a suas expensas em 1902. A recepção é, para dizer o menos, entusiástica. Com um estilo incisivo e vigoroso, inteiramente próprio e original, misturando ensaio, história e ciências naturais, epopeia, lirismo e drama, recolhe as melhores críticas, sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras em 21 de Setembro de 1903. No mesmo ano, devido a restrições orçamentais, é obrigado a deixar o seu posto sendo nomeado no ano seguinte chefe da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus, que estabeleceria a fronteira entre o Brasil e o Peru. Mudando-se para Manaus é a partir desta experiencia que escreve Peru versus Bolívia, publicado em 1907. De volta ao Rio de Janeiro em 1906, torna-se adido do gabinete do Barão do Rio Branco. Toma posse nesse mesmo ano como membro da Academia Brasileira de Letras, sendo o segundo ocupante da Cadeira 7, cujo patrono é Castro Alves. Em 1909 concorre a professor de Lógica no Ginásio Nacional, iniciando a docência em Julho. Dará apenas dez aulas na cátedra, já que é morto com quatro tiros a 15 de Agosto num subúrbio do Rio de Janeiro por Dilermando de Assis, amante de sua esposa. Engenheiro, sociólogo, jornalista, professor, historiador, ensaísta e poeta, tornou-se por excelência o génio representativo da terra, da gente e das mais elevadas aspirações brasileiras, um escritor que só tinha compromissos com a verdade.

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