Aluísio de Azevedo

Aluísio Tancredo Gonçalves Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 14 de abril de 1857, filho do português David Gonçalves de Azevedo e de Emília Amália Pinto de Magalhães. Era o segundo filho do casal, nascendo depois do mais velho, Artur Azevedo, e antes de Américo Azevedo. O seu pai atuava na praça do comércio, demostrando também grande interesse por assuntos de política e cultura. Ele exerceu o cargo de vice-cônsul de Portugal no Maranhão, a partir de 1859, presidiu o Gabinete Português de Leitura e foi vice-presidente da Sociedade Dramática Maranhense. Além disso, ligou-se aos maçons, pertencendo aos quadros do Grande Oriente do Lavradio. Educou os filhos com rigor e tentou encaminhá-los para o comércio. Contudo, Aluísio Azevedo, assim como o irmão, Artur, manifestaram desde cedo uma inclinação para as artes, a literatura e o jornalismo.
Aluísio Azevedo fez os seus primeiros estudos de pintura com o professor italiano Domingos Tribuzzi na cidade natal, onde chegou a lecionar rudimentos de desenho num colégio particular. Alimentava o sonho de prosseguir a formação na Academia Imperial de Belas Artes, para tornar-se pintor profissional. Em 1876 mudou-se para o Rio de Janeiro, a fim de frequentar o curso preparatório, mas viu esse sonho frustrado por falta de recursos financeiros. Passou a trabalhar na redação de periódicos humorísticos, tais como O Fígaro (1876), Mequetrefe (1877) e Comédia Popular (1878) para os quais realizou várias caricaturas, ilustrando matérias sobre temas da campanha republicana que abordavam questões religiosas, de ciência, instrução pública e saneamento urbano.
A morte do pai, em 1878, obrigou o jovem Aluísio a retornar para o lado da mãe, em São Luís do Maranhão. Permaneceu na província por três anos, participando na imprensa local. Lançou a folha O Pensador, de tendência nitidamente oposicionista, na qual fez fervorosa campanha anticlerical e redigiu matérias a favor da abolição da escravatura. Sua estreia como romancista ocorreu nessa fase ao escrever o livro Uma lágrima de Mulher (1879), a que se seguiu o lançamento de O Mulato (1880), cuja repercussão na cidade o conduziu de volta à corte, em 1881.
Estando novamente no Rio de Janeiro, procurou ganhar a vida como escritor profissional. Redigiu contos, crónicas, peças de teatro e romances que divulgou em forma de folhetins nos órgãos da imprensa. São exemplos dessa produção as narrativas Memórias de um Condenado (1882), Mistério da Tijuca (1882) e Filomena Borges (1884), O Coruja (1885) e A mortalha de Alzira (1893). No teatro, associou-se ao amigo Emilio Rouède e ao irmão, Artur Azevedo, com quem criou alguns sucessos de bilheteria, como a comédia A casa de Orates (1882), e as revistas de ano, Fitzmack (1888) e República (1890). Traduziu vaudevilles franceses e adaptou a própria obra para os palcos, na tentativa de obter rendimentos financeiros maiores. Foi com esse espírito que romances O Mulato e Filomena Borges ganharam versão dramática, colhendo aplausos das plateias.
Apesar da fertilidade criativa, a veia do romancista ganhou força para alçar voos mais elevados a partir dos bons resultados que os livros Casa de Pensão (1884), O Homem (1887) e, sobretudo, O cortiço (1890) obtiveram ao enfrentarem debates importantes da vida social brasileira daquela época. Nesses livros, Aluísio abordou temas que polarizavam a opinião pública, marcando posições a respeito dos problemas de moradia, casamento civil, divórcio, sexualidade feminina e trabalho escravo. Nem todos os livros receberam pareceres positivos por parte da crítica, sempre dividida quando se tratava de avaliar as produções vinculadas à escola naturalista, com a qual a ficção de Aluísio Azevedo se identificava. A despeito disso, o romancista manteve-se durante mais de quinze anos exclusivamente dos ganhos com a escrita. Atuou em prol da legalização dos direitos autorais dos escritores e contribuiu para a criação da Academia Brasileira de Letras (1897) na qual ocupou a cadeira número 4.
Após a publicação do seu último romance, Livro de uma Sogra (1895), vendeu os direitos editoriais sobre toda a obra para a Livraria e Editora Garnier. Abandonou definitivamente a literatura ao prestar concurso público e ingressar na carreira diplomática. Tornou-se vice-cônsul do Brasil nas delegações de Espanha, Japão, Inglaterra, Itália, Uruguai, Paraguai e Argentina, onde veio a falecer, vítima de uma paragem cardíaca aos 56 anos de idade, em 22 de janeiro de 1913. Os seus restos mortais foram trasladados para São Luís do Maranhão, em 1919, quando homenagens póstumas lhe foram prestadas na sede da Academia Brasileira de Letras e na cidade natal.   

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